Existe um padrão de pensamento específico que atua como um teto de vidro para a maioria das mulheres que atendo. Esse padrão é o mais profundo e central da mente — por isso o termo “crença central”. Elas são regras silenciosas e profundas que têm a ver com percepções sobre si próprio, as pessoas à sua volta e sobre o mundo. Uma delas — e frequentemente observada nas pacientes que atendo — é a crença “Sou uma farsa”. Trabalhar a síndrome do impostor na terapia é um dos caminhos mais transformadores que uma mulher pode percorrer.
O que é a crença “Sou uma Farsa”
Essa crença gera uma percepção de desvalorização de si mesmo, trazendo comportamentos disfuncionais como:
- Hiper preparação ou esperar pelo “momento certo”: Nunca se sentir pronta, nunca é a hora certa. Estar sempre na fase de preparação, o que se torna desgastante. Se uma apresentação demora 1 hora para ser feita, você provavelmente vai demorar 2 horas e meia para deixar como gostaria — e talvez ainda encontre defeitos.
- Procrastinação: Trabalhar sob pressão e prazos curtos, pois assim “funciona melhor”.
- Fuga cognitiva: Se preparar para o que precisa fazer, organizar o ambiente, se ater minuciosamente a tudo que precisa ser “organizado” para só então — e por último — fazer o que precisa ser feito e que era a tarefa principal.
- Não se permitir descansar ou pausar, não respeitar os próprios limites, evitar entrar em contato com suas emoções ou sentimentos conflitantes.
Como a compensação alimenta o ciclo
Esses comportamentos funcionam como uma estratégia inconsciente de compensar essa percepção de si, ou seja, escapar do desconforto de sentir uma fraude.
Por outro lado, a longo prazo, se você sempre compensa (se prepara demais, procrastina ou foge), você nunca deixa a tarefa acontecer no ‘modo normal’. Assim, você nunca coleta a prova concreta de que é capaz. Você só coleciona provas de que precisa compensar.
E isso alimenta o ciclo: “Olha, só consegui porque me matei de preparar -> logo, sou uma farsa.”
O papel da terapia na superação da síndrome do impostor
No final das contas, a ferramenta que era pra te proteger acaba te colocando mais exposta e em alerta para isso, para o medo de ser insuficiente, uma farsa.
Trazer o que é inconsciente para a consciência e entender que essas estratégias não são fruto da sua personalidade, nem algo imutável, são os passos iniciais para flexibilizar esses comportamentos e ir tirando essas compensações.
Uma psicóloga especializada em síndrome do impostor na terapia pode te ajudar a:
- Identificar quando o padrão está operando
- Coletar dados reais sobre o que acontece quando você não compensa
- Buscar provas concretas de sua capacidade — sem precisar se matar de preparar
- Ressignificar a relação com o descanso, os limites e a autoimagem
Você já é mais do que suficiente
Estratégia compensatória disfuncional é você correr mais rápido para ficar no mesmo lugar, só para não perceber que o lugar é seu por direito. Você gasta tanta energia desviando do espelho, que não percebe que quem está no espelho já é mais do que suficiente.
Se você se reconhece nesse ciclo de compensação e desvalorização, agende sua sessão inicial. Vamos juntas entender de onde vem essa crença, desmontar as estratégias que te mantêm presa e construir uma relação mais verdadeira com sua própria capacidade. 💙
