Eu fui ao congresso para aprender técnicas. Voltei pensando sobre o tipo de terapeuta que quero ser. Quanto mais estudo, menos acredito em respostas prontas e superficiais. Este texto reúne 10 lições que aprendi no Congresso Wainer 2026 — reflexões que reforçam meu compromisso com uma psicologia baseada em evidências, mas que nunca perde de vista a complexidade e a singularidade de cada pessoa.
1. Diagnóstico não é conhecer o paciente
Chegar num diagnóstico não quer dizer que eu já conheça aquele paciente. Existe um universo interno inteirinho pra ser descoberto. Diagnóstico é apenas uma parte disso.
2. Nem todo comportamento funcional vem de um lugar saudável
Nem todo comportamento, aparentemente funcional, se originou de um lugar saudável. Muitas estratégias que parecem adaptativas são, na verdade, respostas a ambientes adversos.
3. O sofrimento pode continuar mesmo sem ameaça
O sofrimento pode continuar mesmo quando a ameaça já passou. Nosso sistema nervoso não obedece a cronogramas — ele responde ao que foi aprendido, não apenas ao que está acontecendo agora.
4. O vínculo pode ser mais eficaz que a intervenção
O vínculo com o paciente, às vezes, pode ser mais eficaz do que uma grande intervenção. A relação terapêutica é, ela mesma, um instrumento de cura.
5. Não existe psicologia neutra
Contexto sociocultural, político e racial podem sim influenciar no sofrimento psíquico e na evolução terapêutica. Não existe psicologia neutra. Ignorar essas dimensões é ignorar parte da pessoa.
6. A psicologia baseada em evidências nos torna mais cuidadosos
A psicologia baseada em evidências não veio para nos tornar rígidos, mas para nos tornar mais cuidadosos diante da complexidade humana. Ela é um norte, não uma camisa de força.
7. Espiritualidade tem lugar na psicoterapia
Religiosidade e espiritualidade podem ser rede de suporte ou fator de risco na vida de alguém. E ela tem seu lugar na psicoterapia, dentro dos limites éticos. Respeitar essa dimensão é respeitar a integralidade do paciente.
8. Olhar para a pessoa inteira
Uma boa clínica precisa olhar para a pessoa inteira — e não apenas para aquilo que trouxe ela até a terapia. A queixa é a porta de entrada, não o todo.
9. O individual tem dimensão coletiva
Até aquilo que parece profundamente individual pode ter uma dimensão coletiva. Somos atravessados por estruturas que nos ultrapassam — e isso não pode ser ignorado no consultório.
10. O compromisso é com a complexidade humana
Cada uma dessas lições reforça meu compromisso com uma prática clínica que une rigor técnico e sensibilidade humana. Uma psicologia baseada em evidências que não abre mão da escuta, do vínculo e do olhar para a pessoa inteira.
Se você busca uma profissional que une ciência e cuidado humanizado, agende sua sessão inicial. Vamos juntas construir um espaço terapêutico que respeite sua complexidade. 💙

