Dificuldade em se Priorizar: O Sinal de Alerta Emocional Que Mais Vejo nas Sessões

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Parte do trabalho como terapeuta tem a ver com observar o que está gerando aquele problema no qual a paciente se queixa, mas deixar que ela encontre essa resposta sozinha. Nesses casos, somos apenas mediadores no processo. Isso significa que muitas vezes, inicialmente, minhas pacientes trazem respostas bem racionais sobre o porquê não fazem aquilo que poderia justamente ajudar a resolver aquela queixa — mas até então elas não sabem disso ainda. Uma das maiores dificuldades em se priorizar aparece justamente nesse ponto.

A Pergunta Que Revela o Padrão

Isso tende a acontecer toda vez que eu pergunto se a pessoa pratica alguma atividade de lazer, se sabe fazer algo só porque gosta mesmo, porque lhe faz bem, sem nenhuma intenção de produtividade, ainda que seja algum ritual simples.

A resposta geralmente vem num formato bem rígido:

  • “Eu já não tenho tempo pra nada.”
  • “Não consigo fazer isso, até já tentei, mas fico pensando no que tenho que fazer e desisto.”
  • “Se eu tenho tanta coisa pra fazer, por que vou perder tempo fazendo isso?”
  • “Minhas atividades de lazer são com minha família.”

O Que Está Por Trás das Justificativas Racionais

Por trás dessas justificativas racionais, há muito mais. Existe uma dificuldade real de se permitir fazer algo que gosta exclusivamente para si. Muitas vezes, até a dificuldade em admitir que precisa disso, por exaustão social — ainda que ame a sua família.

Se priorizar, muitas vezes, pode gerar:

  • Culpa, por se sentir egoísta ou improdutiva
  • Frustração, por não conseguir se concentrar naquilo
  • Desconforto, por não estar acostumada a fazer algo só para si

A Produtividade Como Fuga do Autocuidado

Essa dificuldade em se priorizar é em grande parte ignorada, já que fomos treinados para ser produtivos. O mundo exige isso. Então, se tudo que você faz tem a ver com “ser útil” de alguma forma, ótimo!

Esse é um sinal de uma grande precariedade de atividades que sirvam de válvula e escape para você descansar, desopilar a mente, ou ainda exercer seu ócio criativo — mesmo que não trabalhe com criatividade.

Uma psicóloga pode te ajudar a identificar que essa dificuldade em se priorizar pode ser mais ampla, atingindo questões como:

  • Expressão de limites aos outros
  • Anulação em prol do bem-estar do outro
  • Nunca recusar pedidos, ainda que te prejudiquem

O Trabalho Terapêutico Para Mudar Esse Padrão

É muito comum chegar no meu consultório essa dificuldade em algum nível. E é possível intervir em diversas frentes — cognitivas e mais práticas — para auxiliar a pessoa a:

  • Entender a importância de se priorizar
  • Ressignificar regras internas que levaram a essas dificuldades
  • Reduzir o sofrimento psíquico gerado por esse padrão

Se você se reconhece nessa dificuldade de fazer algo só porque gosta, sem culpa ou sensação de improdutividade, agende sua sessão inicial. Vamos juntas entender de onde vem esse padrão e construir um caminho onde você também possa ser prioridade. 💙

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